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ROMA, DUPLAMENTE ETERNA
Crônica/ Série Itália
Livia S. de Oliveira
5/16/20252 min read
Quem já revisitou um lugar amado, tentando reviver emoções, sabe que Rubem Alves está certo. A gente volta, pensando que vai encontrar o tempo, mas o tempo não está mais lá. Só existem dois lugares eternos: o palácio das memórias e Roma. Às vezes os dois ocupam o mesmo espaço. Tomo a liberdade poética de falar de Roma em primeira pessoa, como se fosse minha, porque é uma cidade que se entrega abertamente a quem caminha por suas ruas e vielas.
Quando pisei na eternidade pela primeira vez, e pouco tinha visto do mundo, as ruas se abriram, como se eu jamais pudesse me perder. Era tudo incrivelmente imenso, belo e, ao mesmo tempo, tão familiar.
Para onde quer que eu olhasse só encontrava arte, charme, magnitude e a certeza de que nenhum caminho poderia estar errado, pois tudo conduzia a uma descoberta. Foi uma viagem inesperada, nunca sonhada. Presente que me concedeu um olhar completamente despido de expectativas, olhar caipira de quem desfruta com o coração aberto.
Inesquecível é a sensação de adentrar a Praça São Pedro, por entre colossais colunas de mármore. Sentei-me entre elas, no ano em que o mundo deveria acabar, sentindo a pequenez do corpo diante da infinita capacidade humana de criar coisas incríveis.
Revisitei Roma algumas vezes. Em outras circunstâncias e de outras perspectivas. Obviamente, passo sempre pela praça São Pedro e nunca consegui sentir novamente a mesma emoção. Porém, ela está intacta, no palácio da memória.
A Fontana di Trevi é outra visita obrigatória, para quem reza em uma praça e cumpre a superstição na outra. Jogo a moeda, nem que seja rapidinho, porque não quero correr o risco de não retornar. Todo o resto é sempre entregue ao desafio de lançar-se a si mesmo, sem medo de se perder na eternidade da cidade para onde todos os caminhos convergem.
Teria sido o poeta Albio Tibullo, quem primeiro classificou Roma como “Eterno Urbe”, quase 50 anos antes de Cristo. Muito mais do que seu espaço, a cidade atravessa o tempo, com sua herança imaterial.
Outras Romas vieram, com outras faces, como o mitológico deus Janus, que tem uma face voltada para frente, outra para trás. La Cittá marca inícios e nos proporciona a vista para o passado e para o futuro, do alto de suas sete colinas. Todas visitáveis.
Passear por Roma, suas praças e parques, orar em seus templos - ou simplesmente contemplar arte sacra da melhor qualidade – é um espetáculo para o qual não existe catraca, nem bilheteria. Inclusive, alguns museus, galerias e castelos reservam um domingo ao mês com gratuidade.
In Bocca al Lupo se chega a Roma, como Romulo e Remo.
